A revolta popular nas grandes cidades
brasileiras despertou interesse de diversos jornais que circulam nesta
terça-feira pela França. A imprensa associa principalmente os protestos
aos gastos excessivos do país com a Copa do Mundo de futebol.
Uma revolta social se espalha pelo Brasil foi o título escolhido pelo conservador Le Figaro
para resumir os protestos que ganharam as ruas de grandes cidades do
país. De norte a sul, dos mais pobres aos ricos, mais de 250 mil pessoas
protestaram na última segunda-feira.
O jornal descreve as cenas de violência em algumas manifestações como
no Rio de Janeiro e explica que as imagens das multidões surpreenderam
já que no Brasil esses protestos são pouco frequentes. O Le Figaro
diz que o aumento dos preços das passagens em São Paulo foi a faísca
que botou fogo no país. Um político do PSOL ouvido pelo jornal diz que a
esperança do brasileiro chegou ao fim e a revolta ilustra o fim do
"lulismo", movimento que surgiu com o ex-presidente Lula.
Sua política permitiu tirar milhões de brasileiros da miséria para fazer parte de uma classe média que tem dificuldades de viver em um país onde tudo ficou caro demais.
Sua política permitiu tirar milhões de brasileiros da miséria para fazer parte de uma classe média que tem dificuldades de viver em um país onde tudo ficou caro demais.
Para o Aujourd'hui en France,
os brasileiros protestam sobretudo por causa dos gastos com a Copa do
Mundo. A reportagem começa com alguns slogans vistos nas manifestações
como "desculpe pelo transtorno, mas estamos mudando o país" e "chega de
corrupção".
O jornal questiona porque tal onda de contestação social quando nos últimos 10 anos o país viveu um desenvolvimento espetacular ? E responde na sequência: a classe média é a primeira a ser atingida por uma inflação galopante, acima de 6% ,e o Brasil vive atualmente um período de crescimento econômico em baixa.
O jornal questiona porque tal onda de contestação social quando nos últimos 10 anos o país viveu um desenvolvimento espetacular ? E responde na sequência: a classe média é a primeira a ser atingida por uma inflação galopante, acima de 6% ,e o Brasil vive atualmente um período de crescimento econômico em baixa.
Para o comunista L'Humanité
o amplo movimento no país tem como alvo o alto custo de vida. O Brasil,
uma força emergente, acorda de maneira brutal e essas lanifestações
mostram que a população não consegue seguir o ritmo necessário para o
país a ter um papel de destaque no cenário mundial. Segundo o L'Humanité,
a diferença entre os investimentos feitos para acolher a Copa do Mundo
de futebol e os Jogos Olímpicos e os gastos com os setores básicos de
saúde e educação se tornou insuportável. O jornal comunista diz ainda
que a onda de indignação chegou num momento delicado para Dilma Roussef,
já que ela pensa na reeleição.
O diário econômico Les Echos diz
que a onda de protestos, que começou com os jovens do Movimento Passe
Livre, impulsionado pelas redes sociais, ganhou tal dimensão no país que
os políticos não podem mais ignorá-los. O jornal lembra que o país
investe mais de 25 bilhões de reais para a Copa do Mundo no ano que vem,
e para muitos brasileiros esse dinheiro deveria ser usado para
melhorar a saúde e a educação. Les Echos cita declarações do
ex-embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, de que o
movimento não tem caráter revolucionário, e que é sobretudo um sintoma
de uma crise de liderança.
Uma referência clara à presidente Dilma Rousseff. Por enquanto os
políticos estão assumindo o golpe mas devem responder com propostas
concretas às reivindicações da população para superar o mal estar no
país e interromper a onda de manifestações.
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