A entrada em circulação das novas moedas de kwanza, no início da semana, foi vista em Luanda como uma mais-valia por parte de uns e com desconfiança por outros. Entre as zungueiras, por exemplo, ainda não são ‘válidas’.Entre as zungueiras (vendedoras de rua) do Sambizanga, a moeda metálica ainda não entrou em circulação. «Só em Março», garantiram, desconfiadas, à reportagem do SOL. A insistência é inútil: recusam vender os produtos sem que se pague com notas.
Mais perto da Baixa, no Kinaxixi, o discurso das zungueiras é o mesmo. «Só começa em Março», afirmam. A mensagem de que novas notas entram em circulação em Março passou. Mas não passou que as moedas – de 50 cêntimos, 1 e 10 kwanzas – entraram no sistema monetário na segunda-feira.
Nos mercados formais, onde os comerciantes têm mais acesso a informação, o cenário é diferente. Num minimercado nos arredores do Cazenga, na área do Hoji ya Henda, um comerciante fica animado com a compra de um produto em moedas pela reportagem do SOL. O que é novo causa nervosismo, mas, neste caso, é reconhecido como válido.
Clientes querem trocos
Nos bancos, o cenário é mais ‘sério’: os funcionários há muito estão preparados para a introdução das moedas – há anos caídas em desuso em Angola – e das novas notas, em Março. Foram eles, de resto, dos primeiros angolanos a terem nas mãos as moedas que as zungueiras, por enquanto, recusam.
O SOL trocou, sem dificuldade, uma nota de 500 kwanzas em moedas numa dependência bancária do Cazenga, perante o olhar indiferente de alguns clientes e a animação que o fenómeno ainda causa noutros – vários estavam ali para verificar se era ‘verdade’ o prometido e anunciado nas campanhas de divulgação feitas nas últimas semanas pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Noutro banco, nos arredores de Luanda, Marisa, funcionária, dá conta das vantagens da moeda. «Muitos comerciantes já vieram aqui trocar dinheiro. Dizem que os clientes estão a exigir trocos certos», diz ao SOL, ao fim da manhã de terça-feira. Com a entrada das moedas metálicas em circulação, muitos angolanos ‘acordaram’ para o fim dos arredondamentos. «Vieram aqui dois senhores que trabalham em bombas de combustível para trocar notas, porque ninguém quer deixar trocos», conta.
Rosa, funcionária do hipermercado Jumbo, reconhece que «é importante» haver «meios para dar trocos certos», mas apela a que não faltem moedas. «É importante que tenhamos a garantia de que estarão sempre disponíveis. Se isso não acontecer, estaremos a criar uma situação complicada com os clientes», aponta.
Para outros, a circulação de moedas metálicas tem uma vantagem adicional. Paulo, cliente do Jumbo, encontra nelas uma forma de poupança. «Agora já não haverá motivo para não receber troco, ou para o receber em rebuçados. E as pessoas poderão começar a ter a cultura de poupar: se juntarmos 10 moedas no valor de 10 kwanzas, poderemos guardá-las».
Victor Panzo, estudante de Economia, também está satisfeito com o fim dos arredondamentos e defende que «ninguém deve mostrar objecção a receber moedas». O jovem vai mais longe – num comentário que seguramente não agradaria às zungueiras. «Nem os vendedores ambulantes podem recusar pagamentos com moedas, sob pena de deverem ser responsabilizados se o fizerem».
A partir de 22 de Março entram em circulação as novas notas – a partir do sistema bancário e das grandes superfícies, como aconteceu esta semana com as moedas metálicas. As primeiras a surgir serão as de valor facial mais baixo, sendo que a ‘novidade’ – a de cinco mil kwanzas – só surgirá a partir de Maio ou Junho, de acordo com o BNA.
Fonte: Sol
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